sexta-feira, 5 de julho de 2013

Gastos mundiais em TI devem chegar a US$ 3,7 trilhões em 2013

Caso a estimativa seja confirmada, representará um crescimento de 4,2% na comparação com os US$ 3,6 trilhões registrados em 2012. 


Por TI Inside



O Gartner elevou sua projeção em 0,4 ponto percentual em relação ao último relatório (3,8%), divulgado no terceiro trimestre do ano passado. A consultoria diz que aumento se deve muito mais ao ajuste cambial de outras moedas ao dólar do que propriamente a uma elevação dos orçamentos de TI das empresas. Quando medida em câmbio constante, a previsão de crescimento é de 3,9%. “A incerteza em relação a economia global é o principal fator para repressar a expansão do mercado de TI”, explica o vice-presidente do Gartner, Richard Gordon. “Esta incerteza causa um sentimento pessimista nos negócios e nos consumidores em todo o mundo. Entretanto, muito dela está perto de uma resolução, e se isso acontecer, prevemos uma aceleração nos gastos”, afirma.
O total de gastos na compra de PCs, tablets, celulares e impressoras deve chegar a US$ 666 bilhões neste ano. Apesar de representar 6,3% de aumento anual, cifra significa uma redução considerável em relação a previsão anterior, que era de US$ 706 bilhões e 7,9% de expansão. No longo prazo, o valor também foi reduzido de 6,4% de crescimento para 4,5%. De acordo com o Gartner, isso foi motivado por preços mais competitivos de tablets com Android e modelos menores e mais baratos vendidos nos mercados emergentes. “Ultimamente, essa mudança de perfil de tablets reduziu a projeção de preços de 2012 para 2016, levando a uma estimativa de desaceleração nos gastos totais no período para esta categoria de produto”, esclarece Gordon.
O Gartner projeta, ainda, que as despesas das empresas com software chegarão a US$ 296 bilhões neste ano, uma elevação de 6,4% na comparação anual. Segundo a consultoria, o mercado de software será impulsionado pelas áreas de segurança, gestão de armazenamento e gestão de relacionamento com o cliente (CRM). A partir de 2014, contudo, os segmentos relacionados a big data e outras soluções de gestão da informação, como gestão de conteúdo empresarial, ferramentas de integração e qualidade de dados, ganharão destaque e recebrão mais investimentos, que devem totalizar US$ 316 bilhões daqui a um ano.
Já os gastos em sistemas para data centers devem totalizar US$ 147 bilhões, crescimento de 4,5% na comparação anual. Para 2014, a projeção é que a cifra suba para US$ 154 bilhões. A consultoria também prevê que os serviços de TI movimentarão US$ 927 bilhões neste ano, cifra 5,2% superior à registrada em 2012. Para 2014, a estimativa é de US$ 974 bilhões em investimentos, o equivalente a 5,1% de crescimento.
O maior volume de investimentos das empresas, no entanto, será em serviços de telecomunicações, que devem totalizar US$ 1,7 bilhão neste ano, uma elevação de 2,4%. Analistas do Gartner preveem um crescimento constante nos próximos anos, à medida que a receita com serviços de dados móveis compensem a queda nos serviços de telefonia fixa e móvel. Em 2016, a previsão da consultoria que os dados móveis representem 33% do total dos serviços de telecomunicações — no ano passado, esse percentual foi de 22%.

Começou a verdadeira guerra da mídia

Estourou a guerra Google x Globo



Por Advivo

Artigo: Luis Nassif

Antes de entrar nos detalhes, vamos entender melhor o que ocorreu no universo midiático nos últimos anos. Desde meados dos anos 2000 estava claro, para os grandes grupos de mídia, que o grande adversário seriam as redes sociais. Rupert Murdoch, o precursor, deu a fórmula inicial na qual se espelharam grupos de mídia em países periféricos.
Compra de redes sociais. Acesso ao mercado de capitais para alavancar o crescimento. Adquiriu jornais em vários países e fez a aposta maior adquirindo uma rede social bem colocada na época. Falhou. A rede foi derrotada pelos puros-sangues Google e Facebook.
Percebendo a derrota, Murdoch decidiu levar a guerra para o campo da política. Explorou alguns recursos ancestrais de manipulação da informação para estimular um clima de intolerância exacerbada, apelando para os piores sentimentos de manada, especialmente na eleição em que Barack Obama saiu vitorioso.
O candidato de Murdoch perdeu. Não foi por outro motivo que uma das primeiras reuniões de Obama, depois de eleito, foi com os capitães das redes sociais - Apple, Google e Facebook.
O caso brasileiro
No Brasil, sem condições de terçar armas com as grandes redes sociais, os quatro grandes grupos de mídia - Globo, Abril, Folha e Estado - montaram o pacto de 2005, seguindo a receita política de Murdoch. Exploração da intolerância. Nos EUA, contra imigrantes; aqui, contra tudo o que não cheirasse classe média. Nos EUA, contra a ascendência de Obama; no Brasil, contra a falta de pedigree de Lula.
Exploração da dramaturgia. Um dos recursos mais explorados pela mídia de todos os tempos é conferir a personagens reais o mesmo tratamento dado à dramaturgia: transformando adversários em entidades superpoderosas, misteriosas, conspiratórias. O "reino de Drácula", no caso brasileiro, foi a exploração do tal bolivarianismo, a conspiração das FARCs.
Manipulação ilimitada do produto notícia. É só conferir a sucessão de capas da revista em sua parceria com Carlinhos Cachoeira. Ali, rompeu-se definitivamente os elos entre notícias e fatos. Instituiu-se um vale-tudo que matou a credibilidade da velha mídia.
Pressão contra a mudança do perfil da publicidade. Historicamente, os grandes veículos sempre se escudaram no conceito de "mídia técnica" para impedir a pulverização da publicidade. Por tal, entenda-se a mídia que alcance o maior número possível de público leitor. Em nome desse conceito vago, investiu contra a Secom (Secretaria de Comunicação do governo) quando esta passou a diversificar sua verba de publicidade, buscando publicações fora do eixo Rio-São Paulo e, timidamente, ousando alguma coisa na Internet.
Quadro atual
Agora, tem-se o seguinte quadro. A velha mídia montou uma estratégia de confronto-aliança com o governo. Mas suas vitórias resumiram-se a dificultar o acesso de blogs e da mídia regional às verbas públicas. Na grande batalha, perdeu. O Google entrou com tudo no país. Este ano deverá faturar R$ 2,5 bilhões, tornando-se o segundo maior faturamento do país, através apenas da Globo, e na frente da Abril. Tem se valido de duas das ferramentas que a velha mídia utilizava contra concorrentes menores: o BV (Bônus de Veiculação), para atrair as agências; e o conceito de "mídia técnica" (a de maior abrangência).
A Globo reagiu, atuando junto ao governo, e denunciando práticas fiscais do Google, de recorrer a empresas "offshore" para não pagar impostos. Agora, constata-se que a própria Globo também se valeu desse subterfúgio fiscal. E a denúncia é veiculada pelo blog de Miguel do Rosário, um dos mais brilhantes blogueiros oriundo dos novos tempos. A denúncia enfraquece a ofensiva da Globo contra o Google: por aí se entende o desesper do grupo, publicando desmentidos em todos os seus veículos.
E a velha mídia descobre que, em sua estratégia tresloucada para dominar o ambiente política, queimou todos os navios que poderiam levar a alianças com setores nacionais. Apostou no que havia de mais anacrônico, criou um mundo irreal para combater (cheio de guerrilheiros, bolivarianismo, farquismo etc.) e, quando os inimigos contemporâneos entraram em cena, não conseguiu desenvolver um discurso novo. Sua única arma é do tipo Arnaldo Jabor interpretando o Beato Salú e prevendo o fim do mundo e a invasão do chavismo. É o bolor contra o mundo digital.
Dissidências internas
À medida em que a guerra avança, surgem os conflitos de interesse entre os próprios grupos da velha mídia. O grupo Folha sentiu-se abandonado pelos demais grupos na sua luta para impedir que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabasse com a obrigatoriedade de se ter um provedor para ter acesso à Internet. Por outro lado, a divulgação dos dados de publicidade do governo mostra que a estratificação das verbas beneficiou as emissoras de TV (especialmente a Globo), em detrimento das publicações impressas.
Em breve, a Secom deverá se posicionar nessa disputa. Há três tendências se consolidando no âmbito da Secom:
1 - O fim do conceito da "mídia técnica" que, antes, beneficiava os grupos nacionais e agora os prejudica.
2 - O aumento de participação na Internet.
3 - A suspensão de qualquer publicidade pública nas redes sociais.